martes, 25 de agosto de 2009

Palavra Amor

Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão de espalhar
aos quatro ventos do mundo essa palavra que é toda sigilo e nudez, perfeição
e exílio na Terra.
Não a pronuncie.

Carlos Drummond de Andrade

4 comentarios:

Tania dijo...

... e não se esqueça, que o poeta também escreveu:

“Que pode uma criatura senão,
entre criaturas, amar?
amar e esquecer,
amar e malamar,
amar, desamar, amar?
sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Que pode, pergunto, o ser amoroso,
sozinho, em rotação universal, senão
rodar também, e amar?
amar o que o mar traz à praia,
e o que ele sepulta, e o que, na brisa marinha,
é sal, ou precisão de amor, ou simples ânsia?

Amar solenemente as palmas do deserto,
o que é entrega ou adoração expectante,
e amar o inóspito, o áspero,
um vaso sem flor, um chão de ferro,
e o peito inerte, e a rua vista em sonho, e uma ave de rapina.

Este o nosso destino: amor sem conta,
distribuído pelas coisas pérfidas ou nulas,
doação ilimitada a uma completa ingratidão,
e na concha vazia do amor a procura medrosa,
paciente, de mais e mais amor.

Amar a nossa falta mesma de amor, e na secura nossa
amar a água implícita, e o beijo tácito, e a sede infinita.”

"Amar" – Carlos Drummond de Andrade
***

Um beijo, menina.

E cuide-se bem.

Tânia

Liliana Lucki dijo...

Me gusta lo escrito y las imagenes

elegidas son bellisimas.

Te saludo desde Argentina .

BELMAR dijo...






"C'est faux dire: je pense: on devrait dire on me pense."


("Es falso decir: yo pienso; deberíamos decir: alguien me piensa.")

Arthur Rimbaud

Iván dijo...

¿Dónde te has ido? Hace falta tu presencia en la poesía. Una vez viniste a mi casa virtual, ahora golpeo tu puerta y espero que vuelvas a escribir.
Un abrazo!